
Acabei por descobrir da pior maneira possível. Eu e a minha mania de que sentir é para os fracos e por isso toda a humanidade está condenada ao falhanço descobrimos que não poderíamos estar mais certas e por isso mais erradas.
Por cinco segundos, míseros, caliginosamente reais. um frame em câmara lenta de dois dias de seca. Foi o suficiente para perceber que se sente e sentir é real. A ideia de perder alguém que estimo despertou tudo o que se possa chamar de sentimento. Fez-me chorar, mesmo sem que as lágrimas me escorressem pela face, sem que se notasse o meu choro, a minha dor que não foi pouca e ainda se faz sentir.
Aí percebi que por mais que não existam, por mais que seja só a nossa cabeça e as suas ideias e neurónios, por mais irracionais que sejam, uma serie de sensações e impressões inexplicáveis cientificamente datam o nosso quotidiano e certamente marcam a história da humanidade. A minha história.
Por isso, pá, já que posso afirmar que existem coisas para além daquilo que conhecemos, que uma dessas criaturas ampare o meu filho e guarde os seus passos.
Meu António.
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