Só porque é feio começar por dizer não.
Tenho medo, mais uma vez. Quero encontrar um eufemismo mais bonito, menos melancólico para expressar o que sinto, mas é em vão. Não existem palavras caras suficientemente incompreensíveis para suavizar a minha dor, para disfarçar o meu alívio.
Queria ser um Luís de Camões ou um poeta tão bom como Pessoa. Agora vinha mesmo a calhar. Sinto que não consigo transmitir o que é suposto. Os meus Leitores, que não existem, jamais chegarão ao que devem compreender.
Já passou um ano, mais um mês e mais uma semana. Chegou a altura de desistir de verdade e não de fingir que me esqueço. Hoje finalmente compreendi que o que já tinha percebido muitas vezes já está mais do que entendido, só é preciso ver sem fingimento.
Escrevo metade dos meus pensamentos, a minha mão ainda não é rápida o suficiente para acompanhar o meu raciocínio.
Hoje, assim como ontem, pensei nele. Pelo menos dez minutos de cada hora minha lhe pertencem. Ele pagou para os ter, não posso ser caloteira.
É triste, mas é precisamente de perder esta minha tristeza que tenho medo. É muito tempo, como vou ocupa-lo quando ele ja não for meu? Não sei como preencher o vazio que sei, que tenho a certeza, que vai ficar. Em vez de imagens alegres de nós os dois e dele os seus 240 minutos diários meus serão ocupados por frames hipocondríacos de eu e mim sozinha sem ele.
Mas já está percebido, sinto-me aliviada, respiro uma solidão que ainda não é minha, mas estou bem.
Hoje não vou chorar pois são escassos os motivos para o fazer.
Hoje vou sorrir, porque não te ter não é sinónimo de desgosto.
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