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Já não há meio termo.

Acho que nunca houve, nunca estive.
Não há nenhum lugar que possa chamar de casa.
Tenho a minha casa, isso é certo, a casa que me criou, que me viu crescer. Mas não tenho uma casa. Tenho o meu espaço, o meu quarto, com a minha cama o meu travesseiro onde repousar o corpo, onde morrer fisicamente. Mas não tenho o meu espaço, ainda não me encontrei.
Penso, sim eu penso, dou por mim longe do meu corpo, depois encontro-me, caio. Caio em mim antes mesmo de conhecer a minha casa.
Fico triste, não sei quem sou, onde estou o que fazer para me encontrar.
Quero gritar, chorar, erguer-me, encontrar a verdadeira grandeza da minha projecção, do meu ser.
Ma afinal quem sou eu?quem é o ser neste coro de aluguer?..
Não sei o que sou, mas sei que sou. Alguma coisa hei de ser. Recuso-m a acreditar que não existo, que não há ninguém para lá de mim.
Mas não vou morrer, deprimir, fechar a minha alma, enclausura-la, ir em busca do meu ser e desligar-me do meu corpo.
Este corpo que é meu, que me pertence, temporariamente isto é certo, mas é meu. Este corpo que apear de alugado me pertence. Este corpo que merece ser feliz. Que merece saborear o banquete que a vida é.
Talvez assim. Tornando o meu corpo ditoso tenho a possibilidade de ser encontrada.
Asfixiando o meu corpo de alegria, de motivos para sorrir. Esquecer-me de mim para que eu me encontre.

Não me esqueci. Apenas não me lembro.

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